Mergulho de Norato

Enveredar pelos mistérios amazônicos nos permite abri portais que se instalam permitindo passagens entre a realidade contemporâneo e a ancestral. A instalação Cobra Norato não só da visibilidade a essa lenda, importantíssima no imaginário nacional, como permite acionar uma passagem para o encontro entre contadores e artistas da visualidade criando nesse encontro um espelho de seu próprio temo, característica muito particular das instalações surgidas nos anos sessenta com os modernistas, dentro das galerias e museus. Aqui não temos somente o envolvimento do espectador no momento de apreciar instalação, mas a percepção de um fazer artístico coletivo tramando a memória de quem conta as várias versões dessa lenda com a sensibilidade de um coletivo de artistas na escuta atenta voltado para o processo de criação de outras imagens.
O Coletivo Pupunha com Café nos instiga a vivenciar em sua instalação o sentir amazônico, em uma releitura entre Abaetetuba, Oeiras do Pará e Cametá, transformando o Espaço Cultural Banco da Amazônia em um portal para atravessarmos o que de poético a lenda da Cobra Norato apresenta.
Entre seres construídos de miriti e materiais reaproveitado de descarte da cidade, essa obra se ergue provocando um olhar mais atento as condições do nosso viver cotidiano, do agora ao nosso entorno. Está atento as diversas falas dentro desse trabalho é o papel de quem vai visitar essa instalação e se vê mergulhando na memória coletiva de uma cultura ancestral.

Anibal Pacha